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Pelos anos de 1884-85 sentia-se a falta de festas populares na Vila de Cascais e mesmo as festas que se pretendiam realizar eram goradas por não haver sociedades recreativas que as organizassem.

Convictos desta carência, Joaquim Theotónio Segurado em conversa com o seu amigo e professor o Reverendo Cónego José Maria Loureiro, cuja amizade e dedicação por Cascais, sua terra natal, era inexcedível, lembraram-se da conveniência e oportunidade de se fundar uma sociedade musical, mas em bases diferentes das que haviam existido e que pela prática se provara não serem profícuas nem duradouras e, portanto, de efémera existência.

Então, Joaquim Theotónio Segurado começou por esboçar essas novas bases num anteprojecto precedido por um bem elaborado relatório, os quais foram apresentados no clube que existia em Cascais, onde se reuniam usualmente as pessoas mais influentes daquele tempo.

O anteprojecto foi aprovado, sendo nomeada uma comissão para elaborar definitivamente os estatutos e a sua composição.

Esta primeira comissão foi composta por Joaquim Theotónio Segurado, o Reverendo Cónego José Maria Loureiro e José Carlos Ludovice da Gama, que era o presidente da direcção do clube onde se reuniram.

No dia 2 de Fevereiro de 1886 realizou-se na Escola Conde Ferreira, em Cascais, uma reunião para qual foram convidados os proprietários locais, comerciantes, funcionários públicos e toda a população cascaense que estivesse em circunstâncias de poder concorrer com a sua quotização, a fim de se discutirem e aprovarem definitivamente os estatutos da nova Colectividade, ficando o registo de que, apenas por um voto, não
foram aprovados por unanimidade.

Primeiro Presidente da Direcção, Reverendo Cónego José Maria Loureiro

Com os estatutos aprovados, discutiu-se depois o nome a dar à nova Colectividade e, das várias sugestões apresentadas, foi escolhida então a denominação SOCIEDADE PHILARMÓNICA CASCAENSE, sendo também eleita a sua primeira direcção que ficou constituída pelo Reverendo Cónego José Maria Loureiro, como presidente, e como directores: Joaquim Theotónio Segurado, José Carlos Ludovice da Gama, Comendador Manuel Vieira de Araújo Viana, Nicolau Atanásio de Freitas e José Florindo Oliveira.

Procurou esta primeira direcção reunir os amadores de música que tinham feito parte das anteriores sociedades e, apesar das rivalidades e malquerenças, quase todos responderam ao convite prometendo a sua colaboração.